Tecnologia pode ampliar rastreamento do câncer de mama sem elevar custos na mesma proporção

Wagner Schneider
By Wagner Schneider
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues analisa como a tecnologia pode ampliar o rastreamento do câncer de mama sem aumentar os custos na mesma proporção.

A ampliação do rastreamento do câncer de mama no Brasil enfrenta limites práticos relacionados à disponibilidade de profissionais, equipamentos e agendas. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, médico especialista em diagnóstico por imagem, alude que no entanto, avanços tecnológicos vêm criando oportunidades para aumentar a capacidade diagnóstica sem crescimento proporcional dos custos. A combinação de novos métodos de imagem, inteligência artificial e gestão de processos pode tornar os programas de prevenção mais eficientes e escaláveis.

O desafio, segundo ele, é integrar essas ferramentas a modelos operacionais bem definidos, evitando que a inovação fique restrita a projetos isolados.

Aumento de produtividade com apoio da inteligência artificial

A leitura de exames de rastreamento envolve grande volume de imagens e exige alto nível de atenção dos profissionais. Sistemas de inteligência artificial têm sido utilizados como apoio para sinalizar áreas suspeitas, reduzindo o tempo de análise e a carga de trabalho dos radiologistas.

Entenda com Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues como soluções tecnológicas tornam o rastreamento do câncer de mama mais eficiente e acessível.
Entenda com Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues como soluções tecnológicas tornam o rastreamento do câncer de mama mais eficiente e acessível.

Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, esse tipo de apoio pode aumentar a produtividade sem comprometer a qualidade. A IA funciona como um segundo leitor, ajudando a priorizar casos e a reduzir falhas por fadiga, especialmente em programas de grande escala.

Esse ganho operacional é particularmente relevante em regiões com escassez de especialistas, onde a fila de exames tende a ser maior.

Novos métodos de imagem e maior eficiência diagnóstica

Tecnologias como a tomossíntese e a mamografia com contraste também contribuem para melhorar a eficiência do rastreamento ao reduzir a taxa de exames inconclusivos e a necessidade de convocações adicionais, informa Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues.

Quando um exame inicial oferece mais informação, o fluxo de pacientes se torna mais previsível e menos fragmentado. Menos retornos desnecessários significam mais vagas disponíveis para novos exames, o que amplia a cobertura sem expansão imediata da infraestrutura.

Esse efeito indireto sobre a capacidade do sistema é um dos principais argumentos a favor da incorporação progressiva dessas tecnologias.

Gestão de dados e monitoramento de desempenho

Além da tecnologia embarcada nos equipamentos, a digitalização dos processos permite acompanhar indicadores como tempo de espera, taxa de retorno, distribuição territorial da demanda e desempenho dos serviços.

A gestão orientada por dados é essencial para identificar gargalos e redistribuir recursos de forma mais eficiente, isso porque, como expõe Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, sem métricas operacionais, o gestor não sabe onde investir para gerar maior impacto. Esse tipo de monitoramento também favorece modelos de contratação baseados em desempenho e qualidade, estimulando melhorias contínuas.

Modelos de parceria e expansão da capacidade

A incorporação de tecnologia pode ser acelerada por meio de parcerias entre setor público, prestadores de serviços e empresas de tecnologia, desde que haja critérios claros de qualidade e avaliação de resultados.

Esses modelos precisam estar vinculados a metas de acesso e seguimento. Não basta ampliar a oferta de exames se não houver garantia de continuidade do cuidado para casos suspeitos, ressalta Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues. Quando bem estruturadas, parcerias podem reduzir tempo de implementação e permitir testes controlados antes de expansões em larga escala.

Inovação como parte de uma estratégia de prevenção

Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a tecnologia só cumpre seu papel quando inserida em uma estratégia mais ampla de prevenção, que inclua planejamento territorial, integração entre níveis de atenção e protocolos clínicos bem definidos. Ao combinar inovação em métodos de imagem, apoio à decisão e gestão por indicadores, o sistema de saúde pode ampliar o alcance do rastreamento e melhorar a qualidade do diagnóstico sem depender exclusivamente de aumento de orçamento.

Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas um diferencial técnico e passa a funcionar como ferramenta de política pública, capaz de transformar a prevenção em um processo mais eficiente, acessível e sustentável.

Autor: Wagner Schneider

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