Como a recuperação judicial afeta o capital de giro? Confira com Pimentel & Mochi Advogados Associados

Diego Velázquez
By Diego Velázquez
A recuperação judicial altera a dinâmica do capital de giro e exige controle financeiro rigoroso. Rodrigo Gonçalves Pimentel destaca a necessidade de reorganização operacional.

Conforme destaca o sócio do escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados, Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, compreender os reflexos da recuperação judicial sobre o capital de giro é essencial para a tomada de decisões mais seguras. Pois, em um cenário de juros elevados, retração de crédito e pressão de fornecedores, o fluxo de caixa se torna o centro da sobrevivência da empresa.

Assim sendo, a recuperação judicial pode representar a separação entre a continuidade da atividade empresarial e o colapso financeiro. Com isso em mente, a seguir, veremos como a recuperação judicial afeta o capital de giro, quais ajustes financeiros são necessários durante o processo e de que forma a reorganização pode preservar a atividade produtiva.

O que acontece com o capital de giro durante a recuperação judicial?

A recuperação judicial impacta diretamente o capital de giro porque altera a dinâmica de pagamentos, renegocia dívidas e suspende execuções pelo período legal de proteção. Segundo o núcleo de recuperação judicial do escritório Pimentel & Mochi, esse ambiente proporciona um alívio financeiro temporário, mas também exige disciplina financeira rigorosa.

Uma vez que a empresa deixa de sofrer bloqueios e constrições imediatas, porém passa a operar sob fiscalização judicial e expectativa de credores, como pontua o Dr. Lucas Gomes Mochi, também sócio do escritório. Tendo isso em vista, a maioria das dívidas anteriores ao pedido ficam sujeitas ao plano de recuperação. Assim, o caixa deixa de ser consumido por cobranças pulverizadas e passa a obedecer a um cronograma negociado. 

Contudo, despesas correntes continuam exigíveis, como salários, tributos posteriores ao pedido e fornecedores estratégicos. Portanto, o capital de giro precisa ser recalculado com base nessa nova realidade, de acordo com o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel. Dessa maneira, um erro comum é acreditar que a recuperação judicial elimina a pressão financeira. 

A recuperação judicial melhora ou restringe o acesso a crédito?

Inicialmente, o mercado tende a reagir com cautela. Instituições financeiras reavaliam risco, fornecedores reduzem prazos e clientes podem exigir garantias adicionais. Isso impacta o capital de giro de forma imediata, especialmente em empresas que dependem de antecipação de recebíveis ou linhas rotativas.

Entretanto, a própria legislação permite a contratação de crédito extraconcursal, que possui prioridade de pagamento. Esse mecanismo pode viabilizar novos recursos para manter a operação ativa. Ademais, conforme ressalta o Dr. Lucas Gomes Mochi, a transparência contábil e a apresentação de um plano consistente aumentam a credibilidade perante parceiros financeiros.

Isto posto, a reorganização financeira deve ser estruturada antes mesmo do pedido, justamente para evitar ruptura abrupta nas fontes de financiamento. Assim, segundo o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, a recuperação judicial não se torna um evento improvisado, mas parte de um planejamento mais amplo.

Durante a recuperação judicial, o capital de giro pode ser impactado por negociações com credores. Rodrigo Gonçalves Pimentel explica como manter a liquidez da empresa.
Durante a recuperação judicial, o capital de giro pode ser impactado por negociações com credores. Rodrigo Gonçalves Pimentel explica como manter a liquidez da empresa.

Como reorganizar o capital de giro durante o processo?

Em suma, a reorganização exige método e visão empresarial. Até porque não se trata apenas de renegociar dívidas, mas de redesenhar a estrutura operacional, como frisa o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel. Logo, o capital de giro precisa refletir uma operação enxuta, sustentável e compatível com a realidade de mercado. Tendo isso em vista, alguns pontos estratégicos costumam ser determinantes:

  • Revisão do ciclo financeiro, reduzindo prazo médio de recebimento e negociando prazos com fornecedores estratégicos;
  • Priorização de produtos ou serviços com maior margem de contribuição;
  • Reavaliação de contratos de alto custo fixo;
  • Alienação de ativos não essenciais para recomposição de caixa;
  • Implementação de controles rigorosos de fluxo de caixa projetado.

Aliás, antes da aplicação dessas medidas, é indispensável um diagnóstico detalhado. Além disso, após a implementação, o acompanhamento contínuo garante ajustes rápidos diante de variações de mercado. Desse modo, no final, esse ciclo de análise e correção preserva o capital de giro e fortalece a credibilidade perante credores.

A importância de uma visão estratégica para a continuidade

Em última análise, a recuperação judicial altera a lógica do capital de giro ao substituir pressões desorganizadas por um cronograma estruturado de pagamentos. Assim sendo, empresários que compreendem essa dinâmica conseguem transformar um momento de crise em oportunidade de reestruturação profunda. 

Portanto, a recuperação judicial afeta o capital de giro de forma intensa, mas também oferece ambiente controlado para reorganização financeira. Pois, quando conduzida com planejamento técnico, análise de viabilidade e disciplina gerencial, ela pode representar o ponto de inflexão entre a insolvência desordenada e a reconstrução empresarial sustentável.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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