Exames feitos, mas o acompanhamento negligenciado: como isso pode afetar sua saúde para sempre! 

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, expressa que diante das mudanças que vêm ocorrendo na cultura de saúde preventiva brasileira, cresce o número de mulheres que realizam a mamografia com regularidade crescente, um avanço que merece reconhecimento. Contudo, realizar o exame é apenas metade do processo: a outra metade, igualmente indispensável, é o acompanhamento correto do resultado, etapa que continua sendo negligenciada por uma parcela expressiva das pacientes. 

Fazer o exame e não seguir o laudo é, do ponto de vista clínico, tão problemático quanto não fazê-lo. Leia mais sobre o tema a seguir e confira!

Por que o laudo sem acompanhamento é um rastreamento incompleto?

O laudo mamográfico não é um documento de arquivamento, expõe Vinicius Rodrigues, é o ponto de partida de uma conduta clínica. Quando o resultado é normal, a conduta é simples: retornar no prazo recomendado para o próximo exame. Mas quando o laudo traz classificações como BI-RADS 3, com recomendação de controle em seis meses, ou BI-RADS 0, com necessidade de complementação imediata, a resposta da paciente precisa ser igualmente estruturada. Uma das situações mais frequentes na prática clínica é a mulher que recebe um laudo BI-RADS 3, guarda o papel em casa e retorna apenas doze ou dezoito meses depois, muito além do intervalo recomendado, perdendo a janela de vigilância que o radiologista havia planejado para aquele achado específico.

O problema se agrava ainda mais nos casos classificados como BI-RADS 0, em que o exame foi tecnicamente inconclusivo e precisa de complementação imediata. Parte dessas mulheres, ao receber um laudo sem resposta definitiva, interpreta a inconclusividade como sinal de normalidade e não busca os exames adicionais indicados. Na realidade, o BI-RADS 0 é precisamente o oposto de uma garantia de saúde: é um sinal de que a investigação precisa continuar. Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues descreve que deixar um laudo BI-RADS 0 sem seguimento é encerrar prematuramente uma investigação que ainda não chegou a nenhuma conclusão.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Quais são os fatores que levam as mulheres a não seguirem o acompanhamento indicado?

As razões pelas quais mulheres não seguem as recomendações do laudo são variadas e muitas vezes compreensíveis do ponto de vista humano. O medo do resultado como fator de evitação é particularmente prevalente: a mulher que sabe que há um achado suspeito e que precisa investigá-lo pode, paradoxalmente, postergar os exames seguintes como forma de proteger-se da possibilidade de um diagnóstico que teme. Essa lógica, embora emocionalmente compreensível, é clinicamente perigosa, pois o atraso na investigação não elimina o risco, apenas reduz a janela de tratamento disponível caso o achado seja realmente maligno.

Somado a isso, barreiras práticas como dificuldade de acesso a serviços especializados, custo dos exames complementares e ausência de encaminhamento adequado contribuem para que o acompanhamento indicado simplesmente não aconteça. Vinicius Rodrigues, como médico radiologista, indica que, em muitos casos, a mulher não recebe orientação clara sobre o que fazer com o resultado alterado, e que a comunicação entre o serviço de radiologia e o médico solicitante é frequentemente fragmentada, deixando a paciente em um vácuo de informação que resolve pelo caminho da inação.

Como transformar o hábito de fazer o exame no hábito de cuidar do resultado?

A solução para esse problema passa por mudanças em diferentes níveis. Do ponto de vista do sistema de saúde, estruturas de seguimento que acompanham ativamente as mulheres com laudos alterados são fundamentais para fechar a lacuna entre o exame e o desfecho diagnóstico. Do ponto de vista individual, toda mulher que realiza a mamografia deve tratar o laudo como um documento de ação, não de arquivo, verificando a categoria BI-RADS atribuída e perguntando ao médico assistente de forma explícita qual é a conduta recomendada e em quanto tempo ela precisa ser realizada.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues conclui que o rastreamento eficaz do câncer de mama é um processo, não um evento pontual. Uma mamografia feita e não acompanhada pode dar uma falsa sensação de proteção enquanto deixa sem resposta exatamente as perguntas que o rastreamento se propôs a responder.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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