Em 2025, 63,5% dos participantes de uma pesquisa da HubSpot no Brasil relataram erros causados por dados conflitantes. De acordo com Marcio Alaor de Araujo, executivo do mercado financeiro, o número, que inclui também atrasos provocados por informações divergentes entre sistemas, mostra que tomar decisões orientadas por dados exige mais do que acumular relatórios. A tendência avança nas empresas, mas depende de qualidade da informação, foco e capacidade de interpretação.
Da intuição aos indicadores
Durante muito tempo, decisões empresariais se apoiaram principalmente na experiência e na intuição dos gestores. Com a digitalização dos processos, empresas passaram a registrar informações sobre vendas, clientes, operações e finanças em volume crescente. A disponibilidade de dados abriu espaço para decisões mais fundamentadas e menos dependentes de percepções individuais.
A mudança, porém, não acontece automaticamente. Muitas organizações têm sistemas modernos e painéis sofisticados, mas continuam decidindo da forma antiga, usando os números apenas para justificar escolhas já feitas. A cultura orientada por dados depende de hábitos de gestão, e não apenas de ferramentas tecnológicas. Sem mudança de comportamento da liderança, os investimentos em sistemas trazem pouco retorno.
Poucos indicadores, bem escolhidos
Um dos erros mais comuns é tentar acompanhar tudo. Relatórios extensos, com dezenas de indicadores, dispersam a atenção e dificultam a identificação do que realmente importa. Gestores passam mais tempo produzindo e lendo relatórios do que analisando informações e agindo a partir delas. Quando tudo é prioridade, nenhum indicador recebe a atenção necessária.
Na percepção de Marcio Alaor de Araujo, cada área deveria acompanhar poucos indicadores diretamente ligados aos objetivos estratégicos da empresa. Escolher métricas que orientem decisões concretas, e não apenas descrevam o passado, torna as reuniões de gestão mais produtivas e facilita a identificação rápida de problemas e oportunidades.

A qualidade da informação vem primeiro
Decisões baseadas em dados errados podem ser piores do que decisões baseadas na intuição. Informações duplicadas, desatualizadas ou registradas de formas diferentes em cada área comprometem as análises e geram desconfiança. Quando os números de vendas não batem com os do financeiro, as reuniões viram discussões sobre qual planilha está certa.
Definir responsáveis pelos principais dados, padronizar conceitos e integrar sistemas são medidas básicas de governança da informação. A mesma pesquisa mostrou que a maioria dos participantes gasta mais de uma hora por semana apenas limpando e conciliando dados, tempo que poderia ser dedicado à análise e à tomada de decisão. Investir na base de dados, portanto, é condição para colher os benefícios das ferramentas.
Dados e experiência se complementam
A tendência não significa abandonar a experiência dos gestores. Dados mostram o que aconteceu e ajudam a identificar padrões de comportamento de clientes, custos e vendas, mas nem sempre explicam por que algo aconteceu ou como o mercado vai reagir a uma mudança. A interpretação depende de conhecimento do negócio, contexto e capacidade de julgamento.
Como pontua Marcio Alaor de Araujo, os melhores resultados aparecem quando dados e experiência dialogam. Gestores experientes formulam boas perguntas e identificam inconsistências nos números, enquanto as informações questionam percepções que poderiam estar desatualizadas. O mercado financeiro, onde decisões combinam modelos quantitativos e avaliação humana, oferece um exemplo desse equilíbrio.
Decisões orientadas por dados como cultura
Transformar dados em decisões exige mudanças de comportamento. Líderes precisam pedir evidências antes de aprovar propostas, valorizar análises bem fundamentadas e aceitar quando os números contrariam suas expectativas. Testes controlados, que comparam alternativas antes de uma implantação ampla, também ajudam a substituir opiniões por resultados, sobretudo em decisões comerciais e de marketing.
A capacitação das equipes completa o processo, conforme sublinha Marcio Alaor de Araujo. Profissionais de todas as áreas precisam saber interpretar indicadores básicos e questionar dados inconsistentes. Empresas que desenvolvem a cultura de decisões orientadas por dados ganham agilidade, reduzem erros e conseguem responder com mais precisão às mudanças do mercado.