Como reduzir as perdas de água em redes de abastecimento? Confira neste artigo

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez
Odair José Mannrich

As perdas de água ainda comprometem parte considerável do volume tratado antes que ele chegue às casas dos consumidores. A contar disso, o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, expressa que o problema raramente tem uma causa isolada: ele nasce do cruzamento entre infraestrutura antiga, pressão mal calibrada e ausência de monitoramento contínuo nas redes de abastecimento.

Assim sendo, reduzir esse desperdício exige combinar diagnóstico técnico e ação prática, não apenas trocar tubulações pontualmente. Setorização, controle de pressão, gestão de ativos e detecção de vazamentos formam um conjunto de medidas que, aplicadas de forma coordenada, mudam o resultado operacional de qualquer concessionária. A seguir, abordaremos como cada uma dessas frentes contribui para conter as perdas e continue lendo para descobrir onde priorizar os investimentos.

Por que a setorização é o primeiro passo contra as perdas de água?

Dividir a rede em setores menores permite isolar problemas sem afetar toda a cidade. Cada setor passa a ter medição própria, o que facilita identificar exatamente onde o volume de água some entre a captação e o consumo final. De acordo com Odair José Mannrich, essa segmentação transforma um sistema opaco em um conjunto de unidades rastreáveis.

Sem setorização, qualquer vazamento se dilui estatisticamente no total distribuído e passa despercebido por meses. Com setores bem definidos, o desvio aparece rapidamente no balanço hídrico, e a equipe de operação sabe onde concentrar esforços antes que o problema se agrave, reduzindo o tempo de resposta e o volume total perdido em cada ciclo de medição.

Controle de pressão: menos ruptura, menos desperdício

Pressão excessiva multiplica o desgaste das tubulações e aumenta a frequência de rompimentos. Reduzir e estabilizar esse parâmetro, especialmente durante a madrugada, quando o consumo cai, diminui o estresse mecânico da rede e prolonga a vida útil de conexões e registros.

Assim, como ressalta o engenheiro Odair José Mannrich, o controle de pressão é uma das intervenções mais custo-efetivas disponíveis, porque não exige troca de tubulação, apenas ajuste operacional constante. O resultado aparece rápido: menos chamados emergenciais e menor volume perdido por pequenas fissuras que, sob pressão alta, se transformam em vazamentos visíveis.

Odair José Mannrich
Odair José Mannrich

A gestão de ativos evita que o problema volte a se repetir

Mapear a idade, o material e o histórico de manutenção de cada trecho da rede muda a lógica de investimento. Em vez de reagir a rompimentos, a concessionária passa a substituir trechos críticos antes que falhem, com base em dados reais de desempenho. Tal como pontua Odair José Mannrich, essa gestão envolve algumas frentes complementares:

  • Cadastro técnico georreferenciado de tubulações e válvulas;
  • Histórico de manutenções e ocorrências por trecho;
  • Priorização de substituição por risco e criticidade;
  • Avaliação periódica do desempenho hidráulico de cada setor.

Aliás, a ausência desse cadastro é um dos motivos pelos quais tantas redes ainda operam no modo reativo, corrigindo falhas em vez de preveni-las.

Como a detecção de vazamentos fecha o ciclo de redução das perdas?

Sensores acústicos, correlacionadores de ruído e monitoramento por telemetria localizam vazamentos que não afloram à superfície. O engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, reforça que essa tecnologia complementa a setorização, porque permite agir dentro de cada unidade menor com precisão, sem depender de inspeção visual em quilômetros de tubulação. Isto posto, a combinação entre setores bem definidos e sensores de detecção reduz o tempo entre a ocorrência de um vazamento e seu reparo, o que impacta diretamente o volume total de perdas de água registrado no período.

Reduzir perdas é um processo contínuo, e não uma meta pontual

Em suma, as quatro medidas discutidas se reforçam mutuamente: setorização localiza, controle de pressão previne, gestão de ativos direciona investimento e detecção de vazamentos acelera o reparo. Isoladas, cada uma tem efeito limitado; combinadas, formam um ciclo de melhoria constante nas redes de abastecimento.

Dessa maneira, concessionárias que tratam essas frentes como rotina operacional, e não como projetos isolados, conseguem sustentar índices de perdas mais baixos ao longo do tempo, com ganhos que se acumulam ano após ano. Assim, o investimento inicial em tecnologia e planejamento se paga na forma de menos água tratada desperdiçada e de uma rede mais previsível para operar no dia a dia.

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