Pesquisa aponta adoecimento mental e assédio entre jornalistas brasileiros

Redação Jornal Imprensa Livre
Por Redação Jornal Imprensa Livre

Uma pesquisa realizada pela Fundacentro em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) identificou índices elevados de sofrimento psíquico entre profissionais de imprensa no Brasil. O levantamento ouviu 257 jornalistas e analisou fatores relacionados à saúde ocupacional, às condições de trabalho e aos riscos psicossociais presentes na atividade jornalística.

Entre os participantes, 50,2% relataram sintomas de depressão. Também foram registrados indicadores de estresse em 47,8% dos casos, insônia em 47,9% e ansiedade em 35,8%. O estudo apontou ainda que 37% dos entrevistados relataram ter enfrentado situações de assédio moral.

Os resultados foram divulgados em 14 de setembro de 2026, durante apresentação ao Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. Segundo a FENAJ, a pesquisa foi realizada entre dezembro de 2024 e outubro de 2025 e teve abrangência nacional.

Pesquisa analisou pressão e riscos psicossociais

O levantamento examinou diferentes dimensões do cotidiano profissional dos jornalistas. Entre os aspectos considerados estão a pressão por produtividade, as jornadas de trabalho, o nível de autonomia, o apoio social, o cyberbullying, o assédio moral e outros riscos psicossociais associados ao exercício da profissão.

A divulgação dos dados ocorre em um cenário de transformação nas redações, marcado por cobranças relacionadas à produção de conteúdo e à necessidade de acompanhar diferentes plataformas. A pesquisa não apresenta esses elementos como uma explicação única para os resultados, mas avalia como as condições de trabalho podem se relacionar com a saúde mental dos profissionais.

Para o debate sobre liberdade de imprensa, os dados acrescentam uma dimensão frequentemente menos visível: a proteção das pessoas responsáveis por apurar, verificar e publicar informações. O exercício do jornalismo depende não apenas da ausência de censura ou de ameaças externas, mas também de condições que preservem a autonomia profissional e a segurança física e mental nas redações.

Sintomas relatados não equivalem a diagnóstico clínico

Os percentuais apresentados indicam sintomas e percepções relatadas pelos participantes da pesquisa. Eles não significam, por si só, que todos os jornalistas entrevistados tenham diagnóstico clínico de depressão, ansiedade ou outros transtornos. Essa distinção é importante para interpretar os resultados com precisão e evitar generalizações sobre a saúde individual dos profissionais.

O levantamento oferece, contudo, um retrato relevante das dificuldades enfrentadas por parte da categoria. A combinação de estresse, insônia, ansiedade e relatos de assédio pode indicar a necessidade de políticas voltadas à prevenção de riscos psicossociais e à melhoria das relações de trabalho no setor de comunicação.

Em informações divulgadas antes da apresentação, a FENAJ informou que o estudo seria levado ao Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. A discussão também se relaciona ao debate sobre a inclusão dos riscos psicossociais nas políticas de saúde e segurança do trabalho, incluindo as discussões em torno da Norma Regulamentadora nº 1.

Assédio e sobrecarga afetam o trabalho jornalístico

Além dos impactos sobre os próprios trabalhadores, problemas de saúde mental podem interferir nas condições em que o jornalismo é produzido. Jornadas intensas, pressão contínua e ambientes marcados por assédio podem dificultar a concentração, o planejamento das pautas e a tomada de decisões profissionais.

O estudo não estabelece uma relação automática entre os indicadores encontrados e a qualidade de toda a produção jornalística no país. Ainda assim, seus resultados ajudam a colocar em evidência uma questão estrutural: a defesa da informação de interesse público também passa pela existência de ambientes de trabalho mais seguros, respeitosos e compatíveis com a responsabilidade da profissão.

Em reportagem sobre o levantamento, a Agência Brasil destacou a presença de assédio e sobrecarga entre os fatores associados à preocupação com a saúde mental dos jornalistas. A pesquisa da Fundacentro e da FENAJ amplia, assim, o debate sobre as condições necessárias para o exercício independente do jornalismo no Brasil.

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